Por Thatiane Oliveira
A Oferta Pública Inicial (IPO) é o processo pelo qual uma empresa abre seu capital e passa a vender ações na bolsa de valores pela primeira vez. Nesse contexto, a quantidade de IPOs na bolsa indica o quão favoráveis são as condições de captação de recursos no mercado para alavancar operações e financiar novos projetos. O sucesso dessas empresas pode incentivar ainda mais organizações a realizarem IPOs, impulsionando o mercado acionário brasileiro.
Dessa forma, realizou-se um levantamento de todos os IPOs ocorridos na bolsa brasileira desde 2004, com o objetivo de identificar os anos com maior volume de aberturas de capital, analisar a evolução do valor de mercado das empresas que passaram a integrar o mercado acionário desde então e destacar os ativos que apresentaram as melhores performances ao longo do tempo.
Desde 2004, o Brasil registra uma média de 11 IPOs por ano. Em 2006, 2007, 2020 e 2021, o número de IPOs superou essa média. Nos anos de 2006 e 2007, o cenário era de forte desempenho do mercado, com o Ibovespa apresentando uma média de retorno anual de 38,29%. A taxa de juros média era de 13,48%, enquanto a inflação se mantinha em 3,8%. Após esse período, um novo pico de IPOs ocorreu em 2021, mesmo após a pandemia de COVID-19. A perspectiva do mercado em 2020 e 2021 era desafiadora: o Ibovespa teve um retorno médio de -4,50%, a taxa de juros estava em 3,59% e a inflação chegou a 7,29%.
Os IPOs voltaram a ocorrer em 2024. Duas empresas enfrentaram as incertezas do mercado e decidiram abrir capital, foram a Vitru Educação e a Automob. A Vitru Educação é uma holding brasileira líder em educação a distância (EAD), controlando as marcas UNIASSELVI e UniCesumar. Atualmente, atende a mais de 900 mil alunos em todo o país, oferecendo cursos nas áreas de saúde, educação e gestão. Já a Automob é uma empresa brasileira especializada no setor automotivo, integrando o portfólio do Grupo Simpar, que também controla empresas como Movida (locação de veículos), JSL (logística) e Vamos (locação de veículos pesados).
Em todo o período histórico analisado foi identificado o registro de retorno e prêmio negativo nos anos em que os IPOs coincidiram com períodos de crise. Como mostra o Gráfico 2, os anos da crise imobiliária de 2008, o impeachment de 2016 e a pandemia em 2020 trouxeram dificuldades para as empresas recém-chegadas à bolsa.
Os IPOs são complexos de avaliar e envoltos em muita especulação. Seu valor de mercado reflete o sentimento do mercado em relação ao setor e à empresa. É importante destacar que, nos últimos cinco anos, o valor de mercado das empresas que realizaram IPO acompanhou o movimento do valor de mercado da bolsa.
Conforme ilustrado no Gráfico 3, a bolsa brasileira tem apresentado crescimento no valor de mercado das empresas desde 2015. Esse avanço também se refletiu nas companhias que realizaram IPOs a partir de 2004. A partir de 2018, essas empresas registraram um aumento significativo em seu valor de mercado, impulsionado, em grande parte, pelas perspectivas econômicas e financeiras favoráveis do período.
Considerando o valor de mercado das empresas que realizaram IPO desde 2004, a JBS se destaca, com aproximadamente R$ 80 bilhões em valor acumulado, seguida pela BB Seguridade, com R$ 70 bilhões, e pela Rede D’Or, com R$ 57 bilhões. Os setores com maior destaque em valor de mercado acumulado são as Seguradoras, com R$ 136 bilhões, Carnes e derivados, com R$ 98 bilhões, e Serviços médico-hospitalares, análises e diagnósticos, com R$ 93 bilhões.
O setor de seguradoras apresentou a maior representatividade em valor de mercado entre as empresas que realizaram IPOs, seguido pelos segmentos de carnes e derivados e serviços médico-hospitalares, análises e diagnósticos. Esses setores possivelmente se beneficiaram ou foram menos afetados pelo impacto da crise gerada pela pandemia e alta da inflação. A dinâmica do mercado é um dos fatores que podem influenciar positivamente o desempenho das empresas no ambiente financeiro.
Em relação aos IPO’s de 2024, as empresas possuem uma média de retorno no ano desde a data de lançamento em bolsa de 27,04%, bem como têm apresentado Prêmio médio sob o CDI de 23,79%. Comparando o prêmio das empresas em relação ao IBOV a média é de 28,97%. O beta médio das empresas está em 4,16 e, possuem média de 29 dias de retornos positivos desde a primeira cotação. A média de volatilidade está em 330,17% e o retorno médio no primeiro dia de negociação é de 96,38%.
Considerando as empresas que fizeram IPO nos últimos cinco anos com rentabilidade positiva desde o início, a Ambipar tem se destacado com 435,02% de valorização desde seu IPO, bem como prêmio desde o início sob o CDI de 839,71% e sob o IBOV de 1510,70%, seguida da Cury com retorno desde o início de 150,60%, prêmio sob o CDI de 474,28% e sob o IBOV de 781,93%, e em terceiro lugar a Automob com 102,62% de retorno desde o início da cotação, prêmio sob o CDI de 2287,32% e sob o IBOV de 1917,69%.
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