ETFs no Brasil: Panorama do Mercado, Principais Fundos, Desafios e Tendências na B3

Por Thatiane Oliveira

O mercado de Exchange Traded Funds (ETFs) no Brasil tem experimentado um crescimento notável nos últimos anos, embora ainda possua um vasto potencial de amadurecimento quando comparado a mercados mais estabelecidos, como o dos Estados Unidos. O aumento no número de ETFs listados na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) é um indicativo claro dessa expansão. Conforme ilustrado no gráfico abaixo, observa-se um crescimento exponencial no volume de ETFs desde o período da pandemia de COVID-19, apesar de uma desaceleração ter sido notada na abertura de novos fundos em 2024.

Atualmente, a B3 oferece uma gama diversificada de mais de 330 ETFs, abrangendo estratégias que vão desde a simples replicação do Ibovespa até abordagens setoriais e temáticas, como as focadas em criptoativos, critérios ESG (Ambiental, Social e Governança), distribuição de dividendos e investimentos com foco na internacionalização.

Apesar desse cenário promissor, o crescimento e a consolidação do mercado de ETFs no Brasil ainda enfrentam desafios e limitações significativas. Entre eles, destacam-se a baixa liquidez de muitos ETFs, que apresentam um volume diário de negociação restrito na B3.

A baixa liquidez de parte dos ETFs dificulta a execução de ordens de compra ou venda de grandes volumes sem exercer pressão sobre o preço do ativo. Consequentemente, observa-se um aumento no spread — a diferença entre os preços de compra e venda — o que pode diminuir o atrativo desses investimentos para aqueles que necessitam de maior agilidade em suas operações.

Adicionalmente, a tributação pode ser considerada desvantajosa e, em algumas estratégias pode representar um entrave importante: ETFs de renda variável não contam com a isenção de imposto de renda para vendas mensais inferiores a R$ 20 mil, como ocorre com ações, sendo tributados à alíquota de 15% sobre o ganho de capital (ou 20% em day trade).

A análise do desempenho dos ETFs em função do tempo de atuação indica uma correlação positiva entre longevidade, volume de negociação e retorno. Em 2024, os ETFs com 8 anos de existência apresentaram, em média, o maior volume negociado, seguidos pelos ETFs com 4 anos de mercado. Curiosamente, os ETFs com 3 anos de atividade superaram, em volume negociado, os ETFs com 10 anos de existência. Estes, por sua vez, ocuparam a terceira posição, atrás dos fundos com 4 e 8 anos de atuação.

Quanto ao retorno médio dos ETFs em 2024, destacam-se os fundos com 11 anos de existência, que apresentaram uma rentabilidade de 58,26%. A análise do risco, considerando a volatilidade histórica desde o início das operações, revela uma tendência de redução a partir do quinto ano de atividade. Já em termos de volatilidade específica de 2024, os ETFs com 3 anos de atuação registraram o maior índice, com 25,12%. Um ponto relevante é o desempenho dos ETFs com 4 anos de mercado, que se aproximaram dos resultados dos fundos mais antigos: sua média de retorno foi de 40,66%, enquanto a volatilidade, relativamente controlada em 14,43%.

Tradicionalmente, os ETFs no Brasil adotam o modelo de acumulação, ou seja, os proventos recebidos (como dividendos das empresas que compõem o índice) são reinvestidos na carteira do fundo, refletindo-se na valorização das cotas, e não são distribuídos diretamente aos cotistas. A Resolução CVM nº 175 manteve essa prática, não estabelecendo obrigatoriedade de distribuição direta de proventos pelos ETFs.

A análise da distribuição de proventos pelos ETFs revela uma mudança recente. A partir de 2023, a B3 passou a listar ETFs com estrutura voltada à distribuição de dividendos. Até então, predominava a prática de reinvestir os dividendos recebidos diretamente na carteira do fundo, o que resultava na valorização das cotas ao longo do tempo. Com essa nova estrutura, observa-se que os ETFs mais recentes têm adotado com maior frequência o pagamento de dividendos aos cotistas. Além disso, nota-se um crescimento contínuo no volume distribuído desde a reconfiguração desses produtos.

Analisando os 20 ETFs que se destacaram com o maior retorno em 2024, observa-se que o tempo médio de atuação desse grupo é de 3 anos, sendo que o ETF mais antigo da amostra possui 4 anos de atividade. O retorno médio alcançado por esses fundos no ano de 2024 foi expressivo, atingindo 110,8%, com o maior retorno individual registrando um notável patamar de 238,28%.

Em relação ao preço das cotas desses ETFs de alto desempenho, a média de cotação atual se situa em R$ 95,68, com o maior valor negociado alcançando R$ 180,12. Ao considerar o menor preço histórico atingido por esses ETFs desde o seu lançamento, observa-se uma média de R$ 27,40. Um investimento realizado nesse patamar mínimo de preço histórico resultaria em um ganho médio potencial significativo de 298,62%. Especificamente em 2024, a média do menor preço atingido por esses ETFs foi de R$ 47,26, o que implica que um investimento realizado nesse menor preço do ano corrente teria um potencial de ganho médio de 112,96%.

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