Mapeando o Lucro: Perspectivas do 2º Trimestre e a Performance das Empresas Brasileiras

Por Suelen Leal

“Para compreender o presente, é preciso conhecer o passado” — máxima recorrente entre pensadores da história e da filosofia, nos conduz ao ponto de partida deste estudo.

À medida que ingressamos na nova safra de resultados do segundo trimestre do exercício fiscal das empresas, propomos uma análise retrospectiva: examinaremos os resultados divulgados no mesmo período de 2024, observando o impacto que esses números tiveram sobre o desempenho das ações no ano passado. A partir dessa base, destacamos também empresas que vêm apresentando trajetória consistente de crescimento no lucro líquido — um sinal relevante para manter no radar nesta nova temporada de balanços.

Neste estudo, nos concentraremos nas empresas que atualmente compõem o índice Ibovespa, com foco na análise do lucro líquido reportado no segundo trimestre. No exercício anterior, a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre por parte dessas companhias ocorreu majoritariamente ao longo do mês de agosto, conforme ilustrado na figura a seguir:

Entre as empresas que apresentaram lucro líquido positivo e crescimento em relação ao mesmo trimestre de 2023, analisamos o percentual daquelas que registraram retorno positivo nos meses de julho, agosto e setembro. O objetivo é avaliar a relevância da divulgação dos resultados sobre o desempenho das ações no mês anterior, da publicação e no mês subsequente.

Em agosto, 55 ações (86%) cujas empresas registraram lucro líquido positivo também tiveram retorno positivo, consolidando o mês como o ponto alto da temporada de resultados.

Julho também apresentou destaque, antecipando parte das divulgações da temporada: 42 ações (66%) de empresas com lucro líquido positivo registraram valorização em suas cotações. Em contraste, setembro contou com apenas 20 ações (31%) que combinaram lucro positivo e retorno positivo, refletindo o encerramento da safra de resultados e a menor concentração de divulgações no período.

Em agosto, 44 ações (96%) registraram lucro líquido positivo com crescimento em relação ao segundo trimestre de 2023, acompanhado de retorno positivo em suas cotações, consolidando o mês como o ponto alto da temporada de balanços.

Julho também apresentou desempenho relevante, com 31 ações (67%) das empresas que combinaram crescimento de lucro líquido tiveram valorização de suas ações, sinalizando que parte do mercado antecipou bons resultados já no início do ciclo de divulgações.

Em setembro, o número de ações que atenderam a esses critérios caiu para 15 (33%), o que reflete não apenas o menor volume de balanços reportados no período, como também uma possível menor intensidade na recuperação dos resultados entre as empresas que divulgaram mais tardiamente.

Analisamos a mediana de retorno das ações que compõem o Ibovespa, segmentando entre: (i) todas as ações do índice, (ii) ações de empresas que reportaram lucro líquido positivo, e (iii) ações de empresas que apresentaram lucro positivo e com crescimento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A análise foi realizada considerando os meses próximos ao período de divulgação dos resultados, e o mês de agosto se destacou por apresentar o maior percentual de retorno mediano entre os grupos observados.

As ações das companhias que divulgaram lucro líquido positivo com crescimento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior apresentaram as maiores medianas de retorno, especialmente em agosto, quando atingiram 7,69%. Esse comportamento indica que os investidores valorizaram não apenas a lucratividade, mas principalmente a evolução dos resultados. Em julho, embora os retornos tenham sido mais modestos, o padrão se repetiu, sinalizando que o mercado já antecipava bons balanços. Por outro lado, setembro registrou mediana negativa em todos os grupos analisados, o que pode refletir tanto a menor relevância das divulgações no período quanto a realização de lucros ou influência de fatores macroeconômicos.

Observamos quais as empresas que apresentaram os melhores resultados em termos de retorno de suas ações. O gráfico em bolhas que segue abaixo ilustra a dominância de IRBR3, com retorno expressivo de 65,1%, seguida por PETZ3 (38,9%), MRFG3 (28,7%) e LREN3 (28,3%). Esses papéis lideraram os ganhos, ainda que nem todos tenham apresentado crescimento no lucro líquido.

A tabela ao lado do gráfico permite observar nuances importantes entre o peso do lucro no consolidado das empresas (análise vertical) e a variação do lucro líquido em 12 meses (análise horizontal). Destaque para IRB Brasil (IRBR3), que mesmo representando 14% do lucro do trimestre, apresentou crescimento de 621% em relação ao ano anterior, reforçando a magnitude de sua recuperação operacional. Outro exemplo é Vibra (VBBR3), com crescimento expressivo de 552% no lucro líquido, apesar de sua participação modesta no total trimestral (2%). Já casos como Petz (PETZ3) e MRV (MRVE3), que apresentaram variação negativa do lucro na comparação anual, reforçam que movimentos de retorno podem refletir expectativas de inflexão no ciclo de resultados, e não apenas fundamentos sólidos no presente.

Esse panorama reforça que a reação positiva do mercado não está limitada ao crescimento contábil, mas pode refletir sinais de virada operacional, melhora de guidance, ajustes de expectativa ou até mesmo o início de reprecificação após períodos prolongados de queda. A análise evidencia que o retorno das ações em ciclos de resultado é influenciado por uma combinação entre desempenho atual, histórico de lucros e a expectativa futura captada pelo mercado.

Ao analisarmos a performance do Ibovespa ao longo de 2024, observamos que os meses de julho, agosto e setembro marcaram um período de forte valorização do índice, em linha com a concentração da temporada de resultados do segundo trimestre. O movimento ascendente iniciado em meados de julho se intensificou em agosto, culminando em uma expressiva alta, o que corrobora os dados analisados anteriormente, que apontam para a predominância de ações com lucros positivos e retornos elevados nesse período. Setembro, por sua vez, apesar de iniciar em patamares elevados, apresentou maior volatilidade e início de correção, refletindo o esgotamento do impulso gerado pelos balanços e o menor volume de divulgações relevantes no período. Esse padrão reforça o impacto da temporada de resultados na precificação dos ativos e destaca a importância dos meses de julho e agosto como vetores de movimentação positiva do mercado acionário brasileiro em 2024.

A análise do retorno mensal do Ibovespa ao longo do período reforça a relevância dos meses de julho e agosto de 2024 como pontos de inflexão na performance do mercado. Em julho, o índice avançou 3,0% em moeda local e 1,1% em dólar, movimento que se intensificou em agosto, com alta expressiva de 6,9% em reais e 6,7% em dólares — o melhor desempenho mensal no ano até então. Esse comportamento coincide com a concentração da divulgação dos resultados do segundo trimestre, conforme apontado nas análises anteriores, evidenciando o impacto direto das divulgações financeiras na valorização dos ativos.

Já em setembro, o desempenho do índice foi praticamente estável em moeda local (0,0%) e ligeiramente negativo em dólar (-3,1%), o que corrobora a redução na força dos resultados das empresas que divulgaram seus balanços mais tardiamente, além de refletir possíveis efeitos do câmbio sobre os retornos em dólar.

Aproveitando o contexto da nova temporada de resultados, realizamos um levantamento com foco em empresas que vêm se destacando pela geração consistente de lucro líquido ao longo dos últimos trimestres. A seleção contempla companhias que demonstram trajetória sólida de crescimento, o que evidencia resiliência operacional e potencial geração de valor ao acionista. Esse acompanhamento se mostra especialmente relevante na safra de resultados do segundo trimestre de 2025, pois permite concentrar atenção em empresas que já vinham sinalizando bom desempenho.

Itaú Unibanco, Bradesco, Santander BR e BTG Pactual seguem firmes na liderança do setor financeiro, entregando lucros elevados mesmo em cenários desafiadores, com a Itaúsa reforçando esse desempenho a partir de uma gestão eficiente de portfólio. Em energia e infraestrutura, Equatorial e Sabesp mantêm uma trajetória ascendente de resultados, enquanto Tim desponta no setor de telecomunicações com lucros estáveis e consistentes.

No varejo e consumo, empresas como Weg, Vivara, Lojas Renner e Iguatemi SA se destacam pela capacidade de sustentar crescimento em um ambiente ainda competitivo, evidenciando eficiência operacional. O setor imobiliário e de construção também marca presença com Cyrela Realty e Direcional, que mantêm evolução positiva nos resultados.

Outros nomes relevantes são Rede D’Or (saúde), Porto Seguro (seguros), Totvs (tecnologia), Localiza (locação de veículos) e B3, todas com padrões consistentes de crescimento nos lucros, sendo candidatas naturais a manterem bom desempenho no novo ciclo de balanços. Já companhias como BRF SA, Cogna ON e Marfrig, mesmo atuando em segmentos mais voláteis, apresentaram recuperação significativa, sugerindo uma possível mudança estrutural ou ganho de competitividade que merece atenção.

Essas empresas, por demonstrarem consistência na geração de lucros ao longo dos últimos trimestres, devem ser monitoradas com atenção especial nesta temporada de resultados. Caso mantenham a trajetória positiva, poderão atrair fluxo de investidores e conquistar desempenho superior no curto e médio prazo, tornando-se protagonistas na performance do mercado ao longo do segundo semestre de 2025.

Este estudo não constitui uma recomendação de investimento. O objetivo é oferecer uma visão analítica com base em dados objetivos para auxiliar profissionais e interessados no acompanhamento da temporada de resultados.

Esse estudo foi elaborado com a base de dados e o ferramental da Economatica, uma plataforma reconhecida pela sua confiabilidade e abrangência no mercado financeiro. Com acesso a séries históricas, composições de carteira, indicadores de risco e retorno, entre outros dados cruciais, a Economatica possibilita uma análise aprofundada e precisa.

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